quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Art Full

hmm. e já me corta o coração não poder escrever um texto como o de antes - resultado de três meses de observação - e ter que recorrer as fotinhos. mas todo blog tem seus altos e baixos.

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antes, queria contar toda orgulhosa que o marco ganhou o prêmio de melhor direção de arte e melhor curta de animação do estado no Granimado com o antitreiler. parabéns, querido ;)

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No final de semana passado participei de um evento chamado Art Full. o Art Full é um evento anual onde cerca de 100 casinhas de pessoas comuns viram pequenos museus. As pessoas com casas de estilo tradicional abrem as portas das suas casas e mostram como vivem, objetos antigos, técnicas de artesanato tradicional etc. o evento é organizado e realizado por voluntários, que vão desde estudantes que ajudam a armar o circo, até os velhinhos que abrem suas casas e mostram um pouco da cultura japonesa para os visitantes.

fui convidada pelo chefe da gráfica onde estagio, tb voluntário, para ajudar. então sábado as 7:50 da manhã lá estava eu com a camisetinha do evento pronta para ajudar. as pessoas foram chegando e o circo foi se armando. levanta tenda, tras cadeira, cola cartaz, distribui panfletos.. mas havia tantas pessoas para ajudar que não tinha trabalho para todos. acontece frequentemente nos eventos japoneses. tem tanta gente para ajudar que não se tem o que fazer e as pessoas ficam disputando por serviço. hehe. acho admirável o gosto que eles têm em fazer trabalhos coletivos. esse evento, assim como vários outros, poderia ser organizado por uma empresa contrada pela prefeitura ou pelo próprio grupo do Art Full, mas não, todos estão lá pelo amor a camisa. é a diversão dos japonese: realizar trabalhos coletivos. pessoalmente, gosto de ver mas meu pensamento pouco japonês me deixou um tanto quanto irritada por ter acordado as 6:30 da manhã de um sábado para não fazer nada...

mas deixando as irritações de lado, vamos a parte divertida da historia.

logo apareceram uns carrinhos antigos para desfilar pelas ruas do evento.





precisavam de gente para andar nos carros e lá fui eu desfilar nesse carrinho :)



durante o evento fiquei ajudando a distribuir mapas as pessoas num dos postos de informação. o posto onde fiquei ficava ao lado de um palco e por isso pude ver alguns shows de taiko (tambor japones), de yasakoi (dança japonesa) e até de um cantor japonês que ticava berimbau. passei o dia ajudando, ou tentando ajudar, já que haviam mais pessoas para entregar mapas do que para receber. hshs.

depois que o evento terminou, pelas 5h da tarde, recolhemos todas as coisas. nos reunimos e depois alguns foram ver as velas que tinham sido colocadas na beira do pequeno rio que acompanha a rua principal do evento. bom, isso sim, foi uma empresa que fez.







no evento, conheci uma coreana que trabalha na NHK, um dos pricipais canais de televisão do Japão (tb bastante assistido pelos descendentes de japoneses no Brasil). ele apresenta um bloco semanal no noticiário da NHK que fala sobre a coréia. bem querida, ela. é minha vizinha. e diz que vai a coréia seguido. fica há duas horas de navio do japão. o engraçado foi que passamos o dia todo juntas no mesmo posto e mal nos falamos. foi só ela saber que eu era estrangeira e eu saber que ela tb era que nos tornamos amigas. hehe. é engraçado como os estrageiros acabam se juntando por aqui.

tb conheci outra menina que faz o que chamamos de "arubaito". na verdade, arubaito significa bico, é o nome dado a todo trabalho sem carteira assinada. mas o "arubaito" da menina era um peculiar. aqui no japão existe um serviço em que as mulheres são pagas para servir bebida e ouvir os caras. somente. não precisam nem conversar. os caras só querem que alguém os escute. não nem precisa ser bonita. sim, os japoneses são muito tímidos. e sozinhos.

voltando ao Art Full, no domingo as 7:45 lá estava eu e todos os japoneses prontos para ajudar novamente. o domingo foi chuvoso e por isso o movimento não foi tão grande.. mas mesmo assim apareceu bastante gente. neste dia, a kaori foi ajudar tb e a gente vestiu roupas típicas.

este é o hakama. a roupa que as estudantes usavam antigamente e hoje é usada nas formaturas. gostei.

vestindo a kaori.


vc já tem um mapa do evento?


ficamos assim bravamente (pq a roupa é um tanto quanto apertada) até umas duas. no domingo o Emerson (bolsista brasileiro), a Sae (amiga japonesa) e o Seul (amigo monge japones) vieram de Ube (cidade há uma hora daqui) nos visitar.



antes de terminar o evento demos uma escapadinha até onde as crianças estavam pintando pedrinhas e fomos pintar as nossas ;)





no final, a função para guardar tuuudo de novo de baixo de chuva. e uma janta de confraternização. onde os japoneses, mais uma vez, fizeram uma demonstração de sua pontualidade. hshsh


*tsumaranai significa chateada.

depois da janta nos encontramos com os amigos que vieram de ube e estavam esperando a gente. fomos em uma casa de jogos tirar fotinho em um purikura, aquelas fotinhos que viram pequenos adesivos. teve uma época no brasil, mas a moda não pegou. aqui no japão é clássico.



as casas de jogos aqui do japão são enormes. e parecem shoppings visto de fora. nunca vi um lotado, até porque não vou muito. mas parece que muita gente frequenta esses lugares para eles serem tão grandes.. há boatos que esses lugares são utilizados para lavagem de dinheiro. são os equivalentes aos bingos do brasil. por dentro, uma barulheira sem fim. certamente as pessoas estão em um estado alterado de consciência para ficar ali dentro, aparentemente, por bastaante tempo. meio assustador.



coisas do japão...

;)

2 comentários:

Marco disse...

brigado querida. realmente o japão é completamente diferente daqui, mas as diferenças são importantes, menos a parte das injustiças e da preguiça e dos suicidios, enfim, é complexo. bonito evento, dirigiu o carrinho? seria bom se os carros fossem assim, sem coupar mto espaço nas ruas ao inves daqueles trambolhos, pickup e tal. bjss

Nico disse...

Bah! trás um carrinho desses pra mim, Lou. Preciso muito.